face_120306-ca4fbA fotógrafa Caroline Lovell, 36 anos, defensora do parto em casa, morreu após o nascimento de sua segunda filha, no fim de janeiro, em Melbourne, na Austrália. Caroline, que estava na companhia de parteiras, chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu. A opção pelo parto em casa tem resultado em muitos casos como o de Caroline. Aliás, esse é um tema que está presente na cabeça de muitas futuras mamães que se questionam sobre os prós e os contras do parto em casa.

Saiba por que o dr. Claudio Basbaum não é favorável a esta prática, mesmo quando assistidos por médicos ou parteiras.

Porque é perigoso optar por este tipo de parto?

 

Como obstetra há quase 50 anos, sou defensor do parto natural com os princípios recomendados por Frederic Leboyer, incentivador do parto de cócoras (“parto das indias”), introdutor do aleitamento na sala de parto — logo após o nascimento — e preconizador da presença do pai na sala de parto.

Tendo experimentado tantas emoções e alegrias, já participei também de várias situações dramáticas durante um trabalho de parto, que expunham mãe e bebê a riscos de lesões ou mesmo de morte e que, graças aos recursos médico-hospitalares, pudemos solucionar, na sua maioria.

Embora os riscos sejam os mesmos e relativamente pouco frequentes, principalmente para as gestantes que fazem um cuidadoso pré-natal, dentro de uma maternidade há mais chance de resolver as surpresas com maior eficácia. Apesar do parto em casa passar a sensação de intimidade e aconchego, não oferece a segurança indispensável em situações imprevistas de emergência como ocorreu com Caroline Lovell, na Austrália e que com certeza, tinha a sua disposição os recursos “essenciais” no seu domicílio.

Por princípio, a obstetrícia é uma área da medicina que envolve intercorrências de risco e urgência e não podemos prever ou garantir qual vai ser o “parto seguro”.

As sociedades médicas brasileiras tanto de Obstetrícia (FEBRASGO) quanto de Pediatria (SBP) alertam para os potenciais riscos do parto domiciliar. Sobretudo no Brasil (e pensemos no país como um todo!), com tantas diferenças socioeconômicas e culturais, imaginemos o drama de uma mulher que precise de um suporte médico hospitalar num caso de hemorragia obstétrica, prolapso do cordão umbilical, eclampsia, sofrimento fetal agudo e outros. Só para ser transportada, vencer a batalha do trânsito, a busca de uma maternidade “que tenha vaga”, passar pela burocracia de uma internação ( “qual é o convênio?”)… Simplesmente, na grande maioria das vezes, PODE NÃO DAR TEMPO!!!

No hospital é possível ter um parto humanizado? O que é necessário?

Sim, no Brasil já realizamos o atualmente chamado “parto humanizado” há quase 40 anos, quando introduzimos o “Parto Leboyer”, baseado na obra “Por um Nascimento sem Violência” — cujos benefícios são altamente positivos para a mãe e, evidentemente, para as crianças — que são recebidas com afeto, aconchegadas no seio materno, fortalecendo o vínculo mãe-bebê, dando-as o devido tempo para “aprender” a respirar e deixando-as mamar logo em seguida.

Está provado que a amamentação nos primeiros instantes de vida é importante para combater a mortalidade infantil, tornando-as no futuro mais seguras e equilibradas emocionalmente.

Como foi o seu trabalho para estabelecer o parto humanizado no hospital São Luiz?

Introduzir os princípios acima mencionados, dentro de uma maternidade, exigiu um grande esforço e fui submetido a terríveis pressões. Em última análise, eu estava rompendo com os padrões e paradigmas determinados há tanto tempo pela medicina institucionalizada.

Mas prevaleceu o bom senso, e já no início dos anos 70 fui convidado pela direção da Maternidade São Luiz em São Paulo — onde ainda permaneço — para exercer a arte obstétrica, tendo por base as técnicas e os avanços da medicina, mas praticando uma verdadeira cerimônia do nascimento, através da ritualização daquele momento único.

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