Uma postagem no Instagram da ginecologista e obstetra Monica Nardy causou polêmica nas redes sociais nesta terça-feira (4). Na publicação, a profissional comemora a inauguração de um berçário com visor, para que a família possa acompanhar os cuidados com os bebês, no Hospital e Maternidade Octaviano Neves, em Belo Horizonte (MG). “Tá bom… eu sei… o bebê deveria ficar o tempo todo com a mãe… #goldenhour Blá… Blá… Blá… Mas enquanto a gente não atinge a perfeição, vamos comemorar as melhorias! “, afirmou.

A publicação foi criticada por mães e ativistas que lutam para que os hospitais sigam as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do Ministério da Saúde de deixar que os bebês fiquem com as mães logo após nascer e não sejam transportados para os berçários.

Em entrevista ao UOL, Monica diz que sua postagem foi mal interpretada por pessoas que não conhecem seu trabalho. Ela explicou que defende o contato da mãe e filho logo após o nascimento e que a foto era apenas a comemoração de uma melhoria no hospital, já que, agora, a família poderá acompanhar pelo vidro os primeiros cuidados do bebê naquele local. E enfatizou que não era um incentivo pra substituição do contato da mãe para que o bebê fique na sala.

“Defendo que a mãe e bebê tenham contato pele a pele [método canguru] logo ao nascer e também a ‘golden hour’ [tempo juntas após o nascimento]. Coloquei aquele ‘bla bla bla’ na publicação, pois estou cansada de dizer isso para as minhas pacientes e seguidoras. Inclusive, já fiz várias postagens sobre esse tema. Reconheço os benefícios de tudo isso”, explica.

“Não sou em quem determina as melhorias do hospital. Sou defensora da sala de parto com banheira e tudo. Agora, com o berçário com visor, a família acompanhará os primeiros testes da criança antes que ela vá se juntar ao pai e a mãe na sala de recuperação”, diz.

Afinal, o que é a ‘golden hour’?

De acordo com o ginecologista e obstetra Claudio Basbaum, da Clínica PróMatrix, essa primeira hora do bebê é fundamental para o vínculo com a mãe e para ter um nascimento sem violência. “Essa criatura que chegou ao mundo tem que ter direito de ir para o seio da mãe, sentir seu calor e seu cheiro, além de reconhecer e se tranquilizar ao ouvir os batimentos cardíacos dela. Em silêncio e sem interferências externas”, diz.

Basbaum explica que essa proximidade com as mães na primeira hora é altamente benéfica não só por questões emocionais, mas também físicas. “As principais são por conta da ingestão do colostro [líquido amarelado produzido pela mama antes do leito materno] que fortalece a imunidade do bebê. A criança que ingere o colostro nessas primeiras horas tem uma boa proteção até os seis meses, que é quando ela começará a produzir os anticorpos sozinha”, diz.

Esse líquido, segundo o ginecologista, tira o mecônio do intestino do bebê, previne o surgimento de alergias, infecções e diarreias, além de contribuir para o equilíbrio da flora bacteriana da criança.

Além dessa nutrição, o médico destaca a importância de tocar e abraçar o bebê para mostrar que ele é bem-recebido, o que vai contribuir muito para sua autoestima. “A criança chora pelo medo, solidão, mas as pessoas pensam que é só fome. Precisamos nutrir o bebê e, ao fazer isso, nós o acomodamos nos braços, acariciamos, massageamos suavemente, só que isso não acontece nos berçários, e sim, ao lado dos pais”, diz.

Berçário = enfermaria de doentes

Para o médico, o berçário é uma enfermaria de doentes que não traz benefício algum para os bebês, já que provoca um isolamento de quem eles mais querem sentir a presença, que é da mãe. “A imobilidade do berço, o contato com o tecido, a luz e o ruído incomodam esse bebê que estava acostumado com um ambiente de penumbra e aquecido dentro do útero. O contato com o seio materno e ouvir os batimentos da mãe, poupa dessa solidão ‘gelada’ que ela é submetida no berçário”, fala.

Basbaum defende que o berço da criança deve ser colocado ao lado da cama da mãe, pois isso é altamente benéfico e estimulante também para a produção de leite materno. “A sucção do bebê provoca a liberação dos hormônios prolactina e ocitocina, que aumentam a produção do leite. Sem contar que sai até mais barato para o hospital colocar o berço ao lado da mãe, pois ela, se tiver recebido orientação adequada no pré-natal, saberá cuidar desse melhor do que qualquer enfermeira”, explica.

O especialista não defende a extinção dos berçários, mas, sim, que eles só acomodem os bebês que estão passando por problemas médicos e que precisam de uma atenção especializada por parte da equipe de enfermagem e de neonatologistas. “Mas as crianças que nascem saudáveis, que são a imensa maioria, devem ter o direito de estar ao lado da mãe. Até por que isso faz com que elas fiquem mais calmas, mamem mais e não se sintam angustiadas. Os hospitais devem começar a seguir o que já é preconizado pela OMS e a Unicef e as mulheres devem se informar e também exigir isso”, afirma.

Confira original no Portal UOL em: https://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2017/01/04/criticada-nas-redes-ginecologista-defende-golden-hour-e-metodo-canguru.htm

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