A partir de 37-38 semanas, a gestante pode observar a “queda do ventre”, sensação de que a “barriga baixou” e que está associada à redução do líquido amniótico ou da acomodação da cabeça do bebê na bacia. Muitas vezes a gestante descreve desconforto ou dor lombar, como ocorre na fase menstrual. Nos dias que antecedem o parto, em função do início de abertura do canal do colo uterino há a eliminação do “sinal”, material mucoso, como um catarro amarelado ou sanguinolento que ali estava contido. Entretanto, dizemos que uma mulher está em “trabalho de parto” (TP) quando surgem as contrações uterinas capazes de promover a dilatação progressiva do colo uterino, espécie de válvula que veda por baixo a cavidade uterina e que se abre no fundo da vagina. Portanto, o trabalho de parto é um processo dinâmico, dependente das contrações. De acordo com a velocidade da dilatação do colo, o TP é dividido em duas fases: fase latente e fase ativa.


Fase latente

Durante a fase latente do parto, o colo vai sendo dilatado mais lentamente. Nesta etapa – que pode durar de 12 a 20 horas – as contrações são irregulares e de menor intensidade. Muito comumente, a gestante refere apenas “que a barriga fica dura, mas que não está sentindo dor”.

No início, a descida do bebê ainda é lenta, a dilatação do colo é inferior a 1 cm/hora, mas este vai perdendo a rigidez e ficando amolecido. Cada contração traciona as fibras musculares do colo, promovendo progressivamente sua dilatação e pressionando para baixo a bolsa das águas e o bebê. Sob ação destas duas forças, o colo se encurta e dilata cada vez mais, com o bebê tendendo a descer, ultrapassando-o e migrando pelo canal vaginal até se exteriorizar (expulsão do feto).

Devemos orientar a gestante para o que se chama falso trabalho de parto ou “alarme falso”, diferenciando-o da fase latente. No “alarme falso”, as contrações são irregulares e de fraca intensidade, sem um ritmo adequado, não tem padrão progressivo, muitas vezes cessam com o simples repouso e não se observa dilatação do colo. São as chamadas “contrações de treinamento”. É a maior causa de” vai-e-vem” às maternidades das gestantes de “primeira viagem”.


Fase ativa

A partir dos 4 cm de dilatação do colo uterino, diagnosticada pelo toque vaginal, a parturiente entra na chamada fase ativa ou final do trabalho de parto verdadeiro, quando ocorre, em média, uma contração em 10 minutos de observação, com duração entre 40-60 segundos. Há dilatação progressiva do colo uterino (“dilatação cervical”) em torno de 1cm/hora, com ou sem rotura da “bolsa das águas”. O trabalho vai se intensificando conforme avança o tempo.

Através do toque vaginal, avalia-se a descida da apresentação fetal (parte do feto que se oferece ao canal do parto).
Em condições normais, alternando contrações e momentos de pausa cada vez mais curtos, a “fase ativa” evolui entre 6 e 12 horas, quando o colo alcança 10 cm de dilatação (dilatação completa) até o momento do expulsivo. As contrações se repetem com forte intensidade, a cada 1 ou 2 minutos, com duração de cerca de 1 minuto. Os “puxos” que ajudam o nascimento do bebê sobrevêm instintivamente, coincidindo com as boas contrações, intercaladas por fases de relaxamento.

Em condições de normalidade, o “período expulsivo” não deve ultrapassar os 30 a 60 minutos e a dequitação (nome dado a expulsão da placenta) deve ocorrer entre 5 -30 minutos após o nascimento. Nas mulheres que já deram a luz anteriormente (multíparas), toda a dinâmica ocorre entre 8-9 horas, ao invés de uma média de 12 á 14 horas observada com aquelas que nunca pariram (nulíparas).


Rompimento da bolsa

O bebê na vida intrauterina fica contido e protegido dentro de uma espécie de bolsa de membranas cheia de líquido – é a bolsa amniótica. Quando acontece fisiologicamente sua rotura, o líquido flui pelo canal do colo uterino e se exterioriza pela vagina. É a rotura espontânea das membranas ou da “bolsa das águas”. Embora existam condições chamadas de roturas altas ou incompletas, além das roturas prematuras (em cerca de 2% dos casos), o mais comum é que a perda líquida se faça espontaneamente no final da primeira fase do trabalho de parto, quando o colo uterino já está com suficiente dilatação. A imensa maioria das gestantes que tiveram rotura de bolsa com mais de 37 semanas entram em trabalho de parto em 24/48 horas.

O aspecto do líquido é importante e nas gestações de termo deve ser claro, levemente opalescente, por vezes com alguns grumos esbranquiçados, tanto mais quanto mais próximo do termo da gestação. Líquido de cor esverdeada ou com material escuro ou fétido é sinal de que o bebê deve estar numa situação de sofrimento, o que requer uma intervenção médica de urgência para acelerar o nascimento.

De um modo geral, é recomendável que a parturiente, antes de qualquer deslocamento para a maternidade, observe com tranquilidade e atenção, durante cerca de 2 horas, se as contrações são características do que chamamos de “fase ativa” e não apenas daquelas da “fase latente” ou do chamado “alarme falso”. Para tanto, são indispensáveis esclarecimentos e informações antecipatórias, propiciadas pela equipe médica durante o pré-natal.

Se tiver dúvidas, pode e deve entrar em contato com um dos membros da equipe médica.

Autor: Dr. Claudio Basbaum
Publicado originalmente no Portal Minha Vida em 04/05/2015

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