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Depois de meses curtindo a barriga crescer e convivendo com todas as mudanças no corpo, finalmente chega a tão aguardada hora do parto. Mas o que você espera desse momento? Mães de primeira viagem podem ficar extremamente ansiosas com esse dia, pensando na dor, nos primeiros sinais de que o bebê está chegando e até mesmo em finalmente ver a carinha dele.

Será que é como nos filmes e nas novelas? A bolsa estoura e o bebê nasce logo em seguida, por exemplo? Podemos adiantar logo de cara que não é. Mas se a ansiedadeestá batendo mais forte, nós contamos para você tintim por tintim o que esperar nesse dia tão especial.

Será que é como estamos acostumados a ver nos filmes, em que a bolsa se rompe e o bebê nasce logo em seguida, por exemplo? Podemos adiantar logo de cara que não é.

Últimos estágios da gravidez

Para entender o momento em que a mulher começa a entrar em trabalho de parto é importante ter em mente como são as semanas que antecedem esse período. De acordo com o ginecologista Claudio Basbaum, também especialista Minha Vida, a partir de 37-38 semanas, a gestante pode observar a “queda do ventre”, sensação de que a “barriga baixou” e que está associada à redução do líquido amniótico ou da acomodação da cabeça do bebê na bacia.

“Muitas vezes a gestante descreve desconforto ou dor lombar, como ocorre na fase menstrual. Nos dias que antecedem o parto, em função do início de abertura do canal do colo uterino há a eliminação do ‘sinal’, material mucoso, como um catarro amarelado ou sanguinolento que ali estava contido”, explica.

A bolsa rompeu?

Nos filmes sempre que o líquido amniótico escapa, começa uma corrida louca para levar a grávida direto ao hospital. Mas apesar de ser importante encaminhar-se rápido para um ambiente seguro, não é preciso entrar em desespero.

“O fato da bolsa romper em casa, não significa que o bebê está nascendo, mas é um significativo sinal de alerta que a paciente pode estar em trabalho de parto”, explica o ginecologista Ricardo Barbosa Diniz, coordenador do serviço de Ginecologia e Obstetrícia e Diretor Clínico do Hospital América Mauá.

Segundo ele, quando a bolsa rompe no momento adequado, seja de forma espontânea ou realizada pelo seu médico, passaremos a ter um maior contato entre a parte fetal e a região cervical (colo uterino), estimulando e efetivando ainda mais as contrações uterinas

Além disso, a bolsa pode estourar muito longe do momento do parto, e também pode apenas ter pequenas perfurações com pequenas perdas de líquido, segundo o ginecologista e obstetra Fábio Rosito, diretor do laboratório SalomãoZoppi Diagnósticos. Em geral o intervalo entre o rompimento da bolsa e o nascimento é de duas a três horas.

É importante ter uma atenção especial com a cor do líquido! Ele deve ser transparente, com alguns pontos esbranquiçados, como clara de ovo diluída em água. A cor vermelha pode significar sangramentos, enquanto a coloração verde pode indicar sofrimento fetal. “O líquido amniótico anormal se chama mecônio, e ocorre quando o bebê evacua no líquido amniótico. Isso ocorre em decorrência de má oxigenação na placenta”, considera o especialista.

Matemática das contrações

Conforme a hora do nascimento se aproxima, o corpo da mãe começa a ajudar o bebê a sair, e as contrações acontecem. Elas são dores que começam de cima para baixo. “O útero é formado por fibras musculares e na hora do parto essas fibras contraem de forma coordenada. Quanto mais frequentes e duradouras as contrações, mais perto está o parto. A forma mais fácil de mensurá-las é medindo o tempo entre elas e o tempo de duração de cada uma”, ensina Paulo Nowak, obstetra da Unifesp e membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo (Sogesp).

De acordo com Diniz, o trabalho de parto apresenta entre 2 ou mais contrações uterinas regulares e efetivas com intervalos de 5 a 10 minutos e duração superior a 30 segundos. Quando falamos em contrações efetivas, estamos falando das contrações que são capazes de esvaecer (tornar uma estrutura grossa em fina) e dilatar o colo uterino.

Quando o parto é marcado

Em alguns casos é preciso que o parto seja cesariana. “O mais comum é que a escolha por esse tipo de concepção seja feita na hora do parto, devido a possíveis complicações. Mas em alguns casos ela é indicada desde o princípio, como em gestações de risco, com problemas como diabetes gestacional, hipertensão ou a eritoblastose fetal – quando o sangue da mãe e do filho não são compatíveis no fator Rh. Mulheres que estão grávidas do terceiro filho e tiveram os partos anteriores dessa forma também devem fazer cesariana”, enumera Fábio Rosito.

Nesses casos, basta ir ao hospital no dia datado, que normalmente é depois da 39ª semana de gestação, quando o bebê já está completamente formado e pronto. Em casos em que o trabalho de parto começa antes do dia agendado, mas depois da 38ª semana, a mulher se encaminha ao hospital e pode fazer uma cesariana de emergência, que funciona da mesma forma. Se for antes disso, o médico lança mão de alguns recursos para tentar segurar a gravidez, caso o bebê não esteja em sofrimento fetal.

Um parto normal pode virar cesariana?

Muitas vezes algumas complicações fazem com que seja necessário fazer uma cesariana. “As mais frequentes são alterações da oxigenação do bebê, percebida pela variação dos batimentos e a parada da descida da cabeça e da dilatação do colo do útero”, enumera o obstetra Paulo Nowak. Normalmente isso é sinalizado pelo aparecimento do mecônio, líquido amniótico com coloração verde escura. Não há problema em transformar um no outro, de acordo com o especialista, a cesariana pode ser feita em qualquer momento do parto normal, até mesmo no final.

Anestesia

A cesariana é feita com anestesia, já que é feita uma incisão no abdômen da mulher. Mas o parto normal também tem essa alternativa, que faz com que as contrações continuem, sem que a mulher as sinta. “No parto normal, é realizada uma anestesia combinada, que é uma raquidiana junto com a peridural. Isso permite um alivio rápido da dor e a complementação da anestesia durante o trabalho de parto. Já na cesariana, a anestesia mais indicada é a raquidiana, que deixa a mulher mais confortável durante a cirurgia”, diferencia Nowak. Geralmente, nos casos de parto normal, é preferível utilizá-la no final do trabalho.

É comum que algumas mulheres sintam coceiras depois do parto, que consideram uma alergia à anestesia. Mas na verdade elas são apenas uma pequena reação do organismo, e nem sempre aos componentes anestésicos. “Geralmente essas coceiras que aparecem são por conta da solução usada na assepsia do abdômen feita na cesariana para remover bactérias, ou devido ao esparadrapo utilizado depois”, comenta Rosito.

Ajudando o bebê a sair

Antes de optar por uma cesariana, outros procedimentos podem ajudar o bebê a sair, caso ele fique preso por muito tempo na vagina. Um deles é a episiotomia, um corte que aumenta a entrada da vagina. “A função principal desse procedimento é acelerar o nascimento do bebê quando temos uma preocupação com a oxigenação. Outra função é usar o método quando percebemos que vai ocorrer uma laceração mais ampla do períneo (região posicionada entre a vulva e o ânus), e direcionamos esse dano para longe da região anal”, explica Nowak.

Outro instrumento mais conhecido é o fórceps, que também ajuda a facilitar a passagem do bebê. Mas hoje em dia o protocolo para seu uso é bem mais rigoroso, levando em conta a posição da cabeça e o tamanho do bebê, entre outros fatores. “Antigamente o fórceps era associado a partos ruins, pois os partos eram em casa e o médico só era chamado em casos que davam errado. Era a única alternativa que eles tinham, e normalmente o bebê vinha com problemas associados à condição anterior”, contextualiza Rosito.

Reações curiosas da mãe

E enquanto decisões sobre a melhor forma de realizar o parto estão ocorrendo no hospital, como fica a mãe? Mesmo quando ela está livre da dor, outros problemas podem aparecer. “Quando as contrações estão muito fortes, há um aumento da pressão abdominal, logo é muito comum que a mulher vomite ou mesmo evacue durante o trabalho de parto”, relata Rosito. Para evitar esse tipo de constrangimento, é feita a lavagem do reto e se recomenda o jejum da mãe antes do parto, apesar de que a alimentação não pode ser controlada quando o parto é normal. Tremores também são comuns nessa hora, não estranhe!

O que acontece depois do parto?

Quando finalmente o bebê nasce, cuidados diferentes são tomados com a mãe e o bebê. O último tem que cumprir uma série de exames para conferir suas condições de saúde. Primeiro é feito o exame de Apgar que indica a vitalidade fetal, em que a vitalidade é medida com base em parâmetros como batimentos cardíacos, respiração, cor da pele, movimentação e tempo pra chorar, tudo isso no primeiro minuto de vida. Depois uma enfermeira aspira o líquido amniótico que pode ter sido respirado pele bebê na saída do útero. Também é colhido o sangue do cordão umbilical para ser feita a tipagem sanguínea e o exame de pezinho, como nos lista Fábio.

Já a mulher requer outros cuidados. “O período de 1 hora após o parto é a fase onde temos que ser mais cuidadosos com a mãe. É nesse momento que podem ocorrer hemorragias, quedas de pressão e outras complicações. O ideal é que durante esse período ela fique ainda no centro obstétrico, sob vigilância da equipe”, descreve Paulo Nowak.

Veja a matéria completa no site do Portal Minha Vida. 

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